TERCEIRO SETOR, UM RÓTULO COM VALIDADE VENCIDA
Quem gosta de MPB e já passou dos quarenta com certeza se lembra do clube da esquina.

Quem gosta de MPB e já passou dos quarenta com certeza se lembra do clube da esquina.
Foram milhões de amores, encontros e sorrisos embalados por vozes e melodias, de jeito e sotaque único, temperadas por uma dose de “mineirice” suficiente para fazer do movimento um exemplo de identidade que resiste às intemperes do tempo. Falar do clube da esquina, significa manifestar em voz alta a constatação verbalizada de uma sinergia, promovida pela forte identidade que conectou artistas como beto Guedes, Vagner Tiso, Toninho Horta, Lô Borges, Milton Nascimento dentre outros.
A exemplo da turma de BH, podemos citar uma série de outros exemplos que entraram para história com uma marca consistente o bastante para fazer lembrar da qualidade das partes, na mesma proporção em que se valoriza a importância do todo. É impossível pensar na narizinho sem lembrar do sítio do Pica-Pau Amarelo, no Dream Time sem falar de Magic Johnson, nas indústrias de SP sem tratar de FIESP.
Bauman em seu livro Comunidade, A Busca Por Segurança No Mundo Atual, afirmou que a construção da identidade é um processo sem fim, sempre passível de experimentação e mudanças. Assim, aquela logo ou marca que outrora nos representava e até dava orgulho, nem sempre terá a condição de seguir conosco ao longo da vida.
Tomar parte de um grupo, Empresa, Clube, Associação ou qualquer outra espécie de coletivo, identificado por nomenclatura e outros símbolos, com potência suficiente para gerar reconhecimento e, mais do que isso, agregar valor, é em geral objeto de desejo de pessoas e organizações. Partindo desta linha, chegamos ao tema que lhes propomos, partindo da constatação que se apresentar como entidades do terceiro setor, tem sido, ao longo dos últimos trinta anos, uma espécie de posicionamento identitário que caracterizou boa parte das Organizações da Sociedade Civil.
Isto posto, se percebe que a consolidação de políticas públicas, somada ao acúmulo de expertise dessas organizações em múltiplas áreas do conhecimento, apontam para uma insuficiência desse recorte para traduzir o que de fato são essas entidades. Vale lembrar, que a expressão de origem estadunidense, remete a um posicionamento econômico de personalidades jurídicas sem fins econômicos. Sendo organizações estatais do primeiro setor, empresas de mercado do segundo, toda a turma “.org” foi se acomodando em uma espécie de terceiro pote.
Neste pequeno ensaio lhes convidamos a refletir sobre a necessidade de superar tal generalização, para dar lugar a outras possibilidades bem mais alinhadas com o tempo presente. Podemos falar das milhares de entidades de Assistência Social, ou de outras tantas de Saúde, Educação, Esporte, Cultura, enfim, entidades protagonistas na materialização de políticas setoriais.
Outra perspectiva com alta capacidade agregadora é a condição de Organização da Sociedade Civil, condição legal que tem como Marco Regulatório a Lei Federal 13.019/2014. Também poderíamos falar de entidades filantrópicas, OSCIPS, ou tantas outras identificações balizadas por certificações ou outras modalidades de acreditação privada ou governamental



