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Já repararam que tem muita gente por aí com vergonha de exercer a cidadania?

Pois é, ser cidadão significa em síntese, exercer com plenitude direitos e deveres reconhecidos como comuns para uma sociedade disposta a viver em harmonia.

Prof. Ms. Carlos FerrariArquivo2 min de leitura
Já repararam que tem muita gente por aí com vergonha de exercer a cidadania?

Pois é, ser cidadão significa em síntese, exercer com plenitude direitos e deveres reconhecidos como comuns para uma sociedade disposta a viver em harmonia.

Para tanto, nós seres humanos trabalhamos, estudamos, pagamos impostos, amamos, discutimos, pensamos diferente e nos esforçamos para construir consensos, ou seja, ideias comuns que nos estimulem a seguir juntos.

Aí nos vemos diante de uma pandemia, um mal maior que ameaça a vida de milhões de nossa espécie e, pior, coloca em xeque regras básicas de convivência que demoramos milhares de anos para aprimorar. Neste contexto, a ciência, responsável por boa parte de nossas tomadas de decisões racionais, aponta para a necessidade de nos recolhermos, fazermos do isolamento social uma espécie de arma global para nos proteger e cuidar de tantos outros que conhecemos ou não.

Então, com fé, amor ao próximo e senso de responsabilidade, indivíduos, famílias, governos e instituições, somam esforços, reinventam suas práticas, esquecem as diferenças e inauguram uma etapa inédita para as últimas gerações.

Em meio a este cenário de comoção e colaboração, acabo de ver na internet o vídeo de uma senhora dizendo, “Não quero viver de dinheiro do governo, quero sair de casa e trabalhar”. Feito o estrago! Em poucas frases, a triste senhora, pinta com palavras um quadro tenebroso, repleto de preconceitos, notícias falsas, egoísmo e desprezo à ciência e cidadania. Pior que o quadro pintado é o papel exercido, tendo em vista que tal posicionamento reverbera as ideias e sentimentos de uma pequena parcela barulhenta da sociedade brasileira.

Mas antes de condenar ou julgar as pessoas que propagam tais ideias, é importante refletir quais caminhos levaram tanta gente a ter vergonha e repulsa à cidadania.

Acredito que se mapearmos as trilhas, consigamos propor novas rotas para quem se perdeu em meio a uma névoa de ódio misturada com a negação da ciência e do amor ao próximo.

Que tal começar pela ausência de identidade. Quando se confunde o direito de acesso à Renda Básica de Emergência com a ideia de dependência do dinheiro do governo, se escancara a inexistência de qualquer sentimento de pertença em relação a condução e construção do país. É preciso que essas pessoas relembrem que pagam impostos direta ou indiretamente, possuem direitos e deveres e vivem em sociedade, logo o dinheiro não é “do governo”, mas da população que, de acordo com o regime tributário atual, proporcionalmente quanto menos ganha mais contribui.

#Artigos#Crônicas

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