INCLUSÃO DISRUPTIVA E ACESSIBILIDADE LÍQUIDA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA PESSOAS com deficiência E SEUS MOVIMENTOS DE LUTA NA ERA DIGITAL
INCLUSÃO DISRUPTIVA E ACESSIBILIDADE LÍQUIDA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA PESSOAS com deficiência E SEUS MOVIMENTOS DE LUTA NA ERA DIGITAL

INCLUSÃO DISRUPTIVA E ACESSIBILIDADE LÍQUIDA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA PESSOAS com deficiência E SEUS MOVIMENTOS DE LUTA NA ERA DIGITAL
A primeira vez que propus esses conceitos publicamente foi no Norte do Brasil, em Breves, cidade Amazônica localizada há doze horas de barco da capital Belém. Fui provocado a tratar das possibilidades e desafios enfrentados por trabalhadores sociais, ao buscar desenvolver melhores níveis de convivência e autonomia para populações ribeirinhas, em tempos de alta conectividade.
Apresentei as ideias despretensiosamente, apenas buscando provocar naqueles trabalhadores um olhar diferente para organizar seus fazeres e saberes diante de tantas transformações tecnológicas, econômicas, ambientais e sociais.
Posteriormente, retomei essa proposta em um prefácio elaborado para uma publicação da União Latino Americana de Cegos – ULAC. O livro organizado a partir de ensaios selecionados dentre vários elaborados por pessoas cegas de toda América Latina, foi uma iniciativa inédita na região. Neste contexto, consciente da responsabilidade ao capitanear essa ação inovadora a frente da Secretaria de Tecnologia e Acesso a Informação da organização, decidi trazer para aquela publicação uma contribuição propositiva orientada por uma abordagem com forte impacto prático para nossas lutas e articulações políticas.
São muitos os pensadores e curiosos, dispostos a escrever, analisar e até praticar exercícios ousados de futurologia para tentar encontrar respostas que dialoguem com os impactos das novas tecnologias nas relações humanas. Contudo, ainda estamos longe de elementos teóricos e empíricos que nos apontem certezas diante do fenômeno, ao qual recorro a uma analogia para descrever como uma “pororoca”, produzida pelas águas” da inclusão e do digital.
Nada melhor do que recorrer a esse termo indígena com sonoridade tão melódica e potente, traduzido como estrondo, utilizado para adjetivar o encontrar de águas, beleza rara que só se pode ver e ouvir quando do encontro entre o rio e o mar, ou mesmo entre dois rios, para tratar de tamanho desafio civilizatório.
Para Tom Chatfield, autor do consagrado livro: “Como Viver na Era Digital” em termos intelectuais, sociais e legislativos, estamos anos, se não décadas, atrasados em relação às questões do presente. Em termos de gerações, a divisão entre os “nativos” que nasceram em meio à era digital e aqueles que nasceram antes dela pode parecer um abismo através do qual se torna difícil articular determinadas conclusões e valores compartilhados.
Suas reflexões tratam do viver em tempos de alta conectividade, porém, poderiam com algumas pequenas adaptações serem utilizadas para problematizar os desafios e conquistas decorrentes de nossas lutas por mais inclusão.



