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EDUCAÇÃO POPULAR: UMA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam concomitantemente”

Samara XavierArquivo2 min de leitura
EDUCAÇÃO POPULAR: UMA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, os homens se educam concomitantemente”

Paulo Freire

Compreende-se por Educação Popular as práticas sociais que objetivam a construção e a reconstrução do homem e de sua história e que correspondem, portanto, aos instrumentos criados pelo homem para a transformação da sociedade e das relações sociais determinadas. Nestas práticas o que se elabora é o conhecimento das camadas populares, as formas como elas apreendem e explicam os acontecimentos da vida que, por sua vez, contém a marca da experiência vivida, da exploração, do enfrentamento cotidiano das precárias condições materiais.

A educação é composta por elementos objetivos e subjetivos, por forças contraditórias internas e externas. Várias práticas podem se configurar experiências em Educação Popular: alfabetização, formação política, trabalhos sociais, pois, estes espaços propõem-se a realizar fundamentalmente o despertar da consciência, sua construção.

A Educação Popular não deve ser compreendida enquanto meio para conduzir as populações a níveis de consciência mais elevadas, tão menos deve corresponder à capacitação dos pobres para práticas mais políticas. Deve ser, gestionariamente um espaço político-democrático de ação-reflexão da população sobre suas condições de vida, sobre os problemas enfrentados diariamente. Um espaço onde as diferentes trajetórias de vida e as particularidades das experiências individuais dos diversos sujeitos sejam valorizados e se encontrem enquanto vivências comuns a uma mesma classe. Um espaço de troca, de sonhos e esperanças comuns.

A partir do conhecimento que o sujeito produz sobre o seu mundo é que ele poderá modificicá-lo. Nisto constitui, portanto, a práxis: na ação e reflexão dos homens sobre o mundo objetivando transformá-lo. No livro A Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire diz que esse processo de transformação do mundo através dos sujeitos passaria, então, por dois momentos: primeiro pelo desvelamento do mundo e o reconhecimento pelos oprimidos do papel fundamental que desempenham na história; e, segundo, pela socialização do conhecimento apreendido e pela transformação das relações sociais opressoras, deixando a pedagogia de ser dos oprimidos e passando a ser “dos homens em processo de permanente libertação”.

A Educação Popular que se objetiva na transformação da sociedade deve possibilitar as mulheres e homens a desmistificação da realidade, o reconhecimento do movimento dialético que compõe esta realidade e a transformação da consciência. Mas, antes dessa transformação ou esse despertar, Paulo Freire na sua “Pedagogia da Indignação” mostra dois discursos: um discurso fatalista que considera que tudo está pronto e acabado, que a sociedade é da forma como está e que nada há de se fazer para transformá-la; e há, também, o discurso do voluntarismo histórico de que as mudanças irão ocorrer, que o futuro será diferente, porém não porquê cabe aos homens guiar a história da humanidade, e sim que ocorrerá a mudança porque está dito que virá. Segundo Freire esses discursos não são discursos de constatação da impossibilidade de mudança, e sim, discursos reacionários que procuram inviabilizar a mudança possível realizada por mulheres e homens.

Não há neutralidade na educação. Ela é política e acredita-se nela como um caminho, que não pode tudo, mas que pode muita coisa no sentido da mudança e da transformação social, que pressupõe necessariamente uma revolução individual e coletiva em nossos valores e práticas.

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