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CINQUENTA MÚSICAS PARA EDUCAÇÃO CIDADÃ

Sempre fui alimentado por músicas! Pois é, a expressão parece estranha e confesso que ao tamborilar estas harmoniosas linhas, deletei, resgatei e substitui inúmeras vezes a ideia de canções nutritivas.

Carlos FerrariArquivo3 min de leitura
CINQUENTA MÚSICAS PARA EDUCAÇÃO CIDADÃ

Sempre fui alimentado por músicas! Pois é, a expressão parece estranha e confesso que ao tamborilar estas harmoniosas linhas, deletei, resgatei e substitui inúmeras vezes a ideia de canções nutritivas.

Ao fim, canto-lhes que realmente foi assim que edifiquei minhas relações com melodias e batidas ao longo da vida. O rádio de pilha com moda caipira que chegou não me lembro quando, os discos infantis com músicas do bozo, balão mágico e trem da alegria, as fitas cassetes com rock nacional e internacional pavimentando pontes para a adolescência. Toda essa profusão de sons foi me fazendo crescer ao mesmo tempo em que ganhavam espaço cativo em minhas memórias e histórias.

Ao refletir um pouco sobre as tantas playlists da vida, cheguei à conclusão que além de alimentar, as músicas sempre trouxeram consigo dois grandes poderes “mágicos”. O primeiro marcado pela capacidade de transformar, visto que não foram poucas às vezes em que a alquimia produzida por alguns acordes, palavras e batuques me fizeram renascer, ou enxergar gente querida serem ao menos por instantes literalmente, outras pessoas. Na mesma medida, a mágica da transformação cumpre efeito reverso já que em determinados momentos tem a capacidade de resgatar almas perdidas de si mesmas. Assim, depois de tantas personas involuntariamente assumidas, elas como em um estalar de dedos voltam para casa, embaladas por rimas e harmonias responsáveis por sustentar os pilares mais profundos do que costumamos chamar de identidade.

Falemos então do segundo poder mágico exercido pela música. Trata-se da condição única que trás por resultado a geração de força. Quem olhar superficialmente para esse fenômeno, só vai enxergar os cada vez mais belos músculos, que ganham novos contornos embalados por disciplinadas e ritmadas batidas eletrônicas em academias e treinos ao ar livre. Contudo, uma espiada mais aprofundada, vai permitir ver com facilidade, crianças, jovens e idosos, empoderados (as) graças a um  novo sentido de vida. Por meio da dança, da rima, de argumentos e de seus coros acompanhados ou a capela, em algum momento da caminhada, estas pessoas se percebem cidadãs. Depois tudo fica mais belo, pois bailando em meio a tal passe de mágica, vocalizam o orgulho de suas distintas origens, raças e  etnias. Como expressão máxima da democracia, a música se materializa engrossando o caldo cultural de todos os povos, aproximando pessoas ricas e pobres, com diferentes orientações sexuais, ou múltiplas identidades de gênero.

Vale dizer que não desconsidero os fenômenos decorrentes de visões preconceituosas e racistas, que por vezes enxergam na música uma possibilidade de opressão e discriminação. Tão pouco busco falar da música em uma perspectiva ufanista que ignora os inesgotáveis abismos culturais que buscamos vencer no cotidiano.

A proposta desta conversa, é contribuir e reafirmar para que trabalhadores e gestores de distintas políticas públicas, tenham na música um valioso instrumento para a implementação e qualificação de Social Soluções.

As possibilidades são infinitas, porém sabemos que por meio de palestras, atividades lúdicas, acolhidas no território, jogos, aulas e brincadeiras, pode-se encontrar na música elementos fundamentais para trabalhar questões complexas e presentes na vida de trabalhadores e usuários.

Criança não trabalha! Este é o título de uma das mais aclamadas músicas da dupla Palavra Cantada. Criança dá trabalho! Cantando em alto e bom tom, Paulo e Sandra talvez sejam responsáveis por um dos hinos mais entoados por educadores sociais, professores, familiares, crianças e adolescentes, quando o assunto é enfrentar e combater o fantasma do trabalho infantil. As contribuições da dupla, contudo não param por aí. Preguiça, Segurança alimentar, história do Brasil, consumismo, resgate de brincadeiras antigas e o crescimento, são alguns de tantos outros temas importantes com os quais a dupla tem contribuído para trabalhar a partir de suas canções.

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